(Homenagem ao Dia Internacional da Pessoa com Deficiência – 3 de dezembro)

Por Guto Maia

Essas foram as melhores férias da vida do Pedro, e aconteceram da forma que ele mais ama: viajando, estudando, pesquisando, falando muito, namorando e fazendo amigos!!!
Alguém acreditaria que isso seria possível há alguns anos?
E o melhor, férias remuneradas.
Olha como se deu o processo de preparação dessas férias que aconteceram em novembro, quando ele completou um ano de trabalho, num projeto de emprego apoiado.
Histórico:
Agosto: participação no seminário de credenciamento de formadores palestrantes no Memorial da Inclusão;
Setembro: inscrição no Supletivo ensino Médio do CEEJA Clara Mantelli;
Outubro: 1. convite para o “Encontro de Gerações” – quatro dias de seminários e atividades radicais na cidade de Socorro, no hotel-fazenda Parque dos Sonhos; 2. Primeira Palestra: lançamento do projeto “Cidades que me dizem respeito”, no Instituto Passadori, São Paulo;
Novembro: 1. viagem à Ubatuba e Caraguatatuba, para a Segunda Palestra, para pais da APAE Ubatuba; 2. Terceira Palestra: Câmara Municipal de Ubatuba; 3. Visita à Secretaria Municipal das Pessoas com Deficiência, de Caraguatatuba; 4. Quarta Palestra – Uniceu Inácio Monteiro (Centro Universitário São Camilo); 5. Viagem a Santos e Quinta Palestra para professores APAE-Santos;
Dezembro: 1. volta ao trabalho no dia 1°; 2. homenageado como o melhor vendedor de revistas de projeto social da loja Dona Veridiana, da Drogasil (só nesse dia de volta ao trabalho, ele vendeu 10 revistas para clientes em 4 horas de trabalho!).
Resumindo: cinco palestras, três viagens, excelentes notas no supletivo, credenciamentos relevantes, participação em três seminários: Memorial da Inclusão, Maksoud Plaza e ECA-USP, muita alegria e muitos novos amigos. Essa é a fotografia de um trimestre na vida de uma pessoa com deficiência. 14,5% da população de cidadãos do Brasil têm esse potencial. Esse é o percentual de pessoas com deficiência. Só lhes faltam as oportunidades de mostrarem de que forma podem ter a mesma felicidade de realização, dentro dos seus limites e capacidades.
Isso tudo, acima de qualquer vaidade de pais, indica o quanto um “indivíduo” PCD é “coletivo”. A quantidade de pessoas envolvidas em processos como esses, além do pai e da mãe, é incalculável. E, quando isso acontece, a sociedade ganha como um todo. Todos são responsáveis por essa realização. Jamais um pai ou uma mãe, ou avós, conseguiriam fazer isso sozinhos. Um batalhão de especialistas, familiares, amigos, simpatizantes, etc., é envolvido, mas jamais os outros fariam isso tudo plenamente no lugar da família. Quando, utopicamente, todos nos considerarmos uma única família humana, verdadeiramente, poderemos ser felizes em saber que os nossos filhos serão “para” o mundo, e poderemos morrer realizados, sabendo que os nossos filhos continuarão num AMBIENTE SEGURO.
Todo PCD (pessoa com deficiência) se tornará, invariavelmente, um PAH (pessoa com altas habilidades). Isso se dará, pois, a vida é mais forte e tende a florescer, e só o fato de se manter vivo, mesmo quando tudo é desfavorável, traz compensações inimagináveis. Isso faz desse indivíduo alguém altamente diferenciado em aspectos geralmente não evidenciados, camuflados pela deficiência. Junta-se a isso o preconceito social e familiar contra o incomum, e a pessoa é formatada como incapaz, sem forças para reagir. Desta forma, extingue-se um potencial grandioso e quem perde é a sociedade.
Por isso, os PCDs são “indivíduos coletivos”, pois “todos” somos responsáveis por eles. A alegria da realização de um “indivíduo coletivo” é de todos. Um PCD tem a cara de todos que o cercam.
A gratidão de uma família que se empenha para a alegria diária de um PCD é universal quando isso acontece, porque jamais alguém conseguirá cuidar sozinho dele, portanto essas criaturas são seres agregadores.
Caso queira acompanhar de perto o cotidiano e a história de Pedro, basta clicar aqui. Esta história pública e coletiva é de todos os “Pedros”, pois, num ambiente público, os portadores de preconceito podem acessar informações de várias correntes de pensamento e formarem firmemente suas convicções e juízos, e, na boa hipótese, melhorarem o seu poder de aceitação. Somos todos muito parecidos nas nossas necessidades básicas quando buscamos ser felizes. Só que alguns precisam de mais coisas que outros para que isso aconteça. Uns são mais ambiciosos, e a maioria precisa de muito pouco. Não há logica na felicidade. O “modelo” de “ser feliz” vem de fora, mas o processo vem de dentro.
A melhor lição que pudemos tirar desse processo que deu certo é que absolutamente tudo que fizermos com sinceridade terá sucesso.
A sinceridade é agregadora em si. A sinceridade é honesta em si.

Um feliz dia mundial para os portadores de sinceridade!
Parabéns Pedro pelo seu dia! Você merece.

(Texto em homenagem ao Dia Internacional da Pessoa com Deficiência – 3 de dezembro, que busca a emoção do pai, a sabedoria do professor e a objetividade do universo corporativo)

Observação: o termo “portador de deficiência” está em desuso, pois quem “porta algo” transporta, “carrega o que pode ser descartado”, e, no caso do PCD, ele “possui” a deficiência.
São detalhes semânticos que os ativistas em favor das causas das pessoas com deficiências vêm reforçando para tornarem o preconceito cada vez menor.

 

Guto Maia é professor multidisciplinar de alunos PCD’s, pesquisador de educação inclusiva há cerca de 20 anos, ativista do aperfeiçoamento dos protocolos da inserção de inclusivos no Mercado de Trabalho; pai de quatro filhos, sendo o mais jovem autista;  filho de mãe que esteve cadeirante por 13 anos; conselheiro eleito 17/18 do CER-Sé SP, ligado ao SUS, da PMSP; coordenador do Depto. de Música do NEED (Núcleo de Especialização e Estudo para o Deficiente Físico e Mental); foi professor de adultos PCD’s, na Extensão Comunitária da UNIP Vergueiro; professor de Jovens Aprendizes do IBFC (Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação); diretor teatral, músico, compositor, autor, ator de teatro e cinema; parceiro do Instituto Passadori. Cursou Pedagogia, Música, Ética, Teatro, Artes, Literatura, Adm. Empresas e Educação Inclusiva.  É certificado em Comunicação Verbal pelo Instituto Passadori. Em agosto, participou do Seminário de Formadores de Palestrantes Credenciados do Museu da Inclusão, da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, do Governo do Estado de São Paulo. Também participou do “Encontro de Gerações”, coordenado pela jornalista Flávia Cintra, de 15 a 18 de outubro, na cidade de Socorro/SP, evento de debates para a preparação coletiva do primeiro documento da Agenda 2030 do Plano de Ação das Américas, das Nações Unidas.  

Referências: Revista D+ 

Depoimentos de alunos e colegas do prof. Maia 

No dia 26/10, a Passadori recebeu a palestra de abertura do projeto “Cidades que me dizem respeito“, uma parceria com a Dois do Brasil, grupo formado por Guto Maia, artista e palestrante, e Pedro Rosengarten, autista e também palestrante.

O projeto, idealizado a partir do Seminário de Credenciamento e Orientação de Formadores no Memorial da Inclusão, da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, do Governo do Estado de São Paulo, em agosto de 2017, aborda a inclusão de pessoas com deficiências (PCD’s) e de pessoas com altas habilidades (PAH’s) no mercado de trabalho.

A palestra teve o intuito de iniciar um círculo de conversas entre familiares e pessoas que possuem ou já passaram por problemas no mercado de trabalho, tiveram dificuldades de aceitação e obtiveram o aproveitamento de suas habilidades.

Um dos pontos altos do evento foi a participação do fotógrafo João Maia, deficiente visual, responsável pela cobertura fotográfica das Paraolimpíadas. Ele contou um pouco de sua experiência profissional e pessoal com Rosengarten.

Os participantes ressaltaram o fato deste não ser um assunto frequentemente discutido e reiteraram a importância da preparação do mercado de trabalho.

De acordo com o público da palestra, um ambiente com maior abertura para o tema propicia mais debates a respeito e fornece soluções para melhorar a defasagem das organizações e a integração de pessoas com deficiências e altas habilidades.

Assista o vídeo em que Guto e Pedro falam sobre o projeto: